Vivendo e aprendendo

28 abr

Até engravidar e mais precisamente até o Nicolas nascer eu tinha algumas idéias pré-concebidas sobre a maternidade, coisas que queria fazer e que achava que se fizesse seriam sucesso na certa, até 2 meses atrás eu nunca tinha ouvido falar em saltos de desenvolvimento, crises de estresse por super-estímulo e coisas do gênero, acreditava que teria sangue frio para colocá-lo sozinho no quarto logo que nascesse e que bastava amamentar, trocar fraldas e colocar no bercinho, mas a maternagem é um mundo muito mais vasto do que se imagina.
Já começamos bem com as crises de cólica do bebê  ainda no hospital, voltamos para casa com um recém-nascido com o intestino preso berrando de dor, tivemos que lidar com o sofrimento do nosso filho já nos primeiros dias conosco, tive que me assumir como mãe leoa e enfiar meu filhote debaixo dos braços pra dormir agarradinho comigo, impor minha opinião enquanto a maioria das pessoas achava que ele sentia fome e eu devia complementar a mamada com NAN porque naquele momento era o que eu acreditava ser o melhor e assim foi, as crises de dor foram embora e tivemos algumas semanas de tranquilidade com um bebê que dormia praticamente o dia todo e só acordava uma vez na madrugada, problemas acabados não é?
Não, aos poucos fui percebendo que em alguns dias o Nicolas resolvia fazer festinhas noturnas, não dormia na hora de costume, chorava e tinha dores por conta de gases e dificuldade para fazer coco, fui observando que esses episódios eram exatamente quando saíamos de nossa rotina heremita, quando as visitas eram diferentes das de costume ou quando saíamos a lugares que ele ainda não conhecia, mas foi depois de ler o blog da Dani e ver que ela e o Lorenzo passavam pela mesma experiência que descobri as tais crises por super-estímulo, foi aprendendo a prever as crises e mesmo sem conseguir evitá-las por completo (só mesmo se não sair de casa e não receber ninguém) que fui conhecendo meu filho e entendendo cada comportamento dele, o que faz parte de sua personalidade, o que é fase, o que é desconforto e aceitando que cada dia é diferente do anterior.
Também conheci há pouco tempo o tal salto de desenvolvimento, pelo menos umas 2 longas semanas em que o bebê quis ficar grudado em mim e no peitão o tempo todo, cansativo, opressor mas recompensador esse tempo em que nos dedicamos apenas um ao outro, também aprendi muito sobre isso e já estou me preparando para o próximo salto que está chegando, coisas que não sabia que existia e que agora fazem parte da nossa vida.
Posso dizer com essa minha curta e quase insignificante experiência como mãe que não sabemos porcaria nenhuma sobre o assunto até estarmos nesse papel, se você quer ser mãe pesquise, se informe, leia, se prepare mas acima de tudo esteja certa de que as coisas sairão exatamente diferente do que você previa, o Nicolino é um bebê ótimo, não chora nem para mamar com exceção dos dias de crise, dorme direitinho geralmente no berço desmontável ao lado da minha cama e sem reclamar, mas ainda não conseguimos ter um ritmo de mamadas noturnas o que torna muito mais cansativo colocá-lo em seu quarto, logo o berço lindo continua sendo apenas decorativo, ele cresce num ritmo absurdo que faz com que todo o esquema de roupas separadas por tamanho e programadas para servir em determinada época com determinado clima tenha ido por água abaixo, aquele estoque de cobertas e cueiros assim como as mantas lindas, tênis, bonés, tudo parece completamente inútil quando você elege um cobertorzinho preferido, aprende que muito frufru só atrapalha e evita usar macacões sem pé para não perder tempo calçando os tênis na hora de sair, fora as preferências do bebê claro, Nicolino odeia luvas, gorros, detesta ser enrolado mas em alguns dias só dorme quietinho enrolado no seu “pulguento”, nome carinhoso do tal cobertorzinho, então não adianta a gente achar que vai decidir tudo, prever tudo e controlar tudo até porque estamos lidando com uma pessoinha que tem sua personalidade e está aprendendo a impor seus gostos e vou dizer, como é genioso e bravinho esse moleque, quando não quer conversa vira o rosto até para a mãe e a gente ao invés de achar ruim ainda ri da maneira que o filhote aprendeu a demonstrar suas vontades e dizer, ei povo estou crescendo!
Muitas verdades absolutas caíram por terra depois que meu filho nasceu e isso vale para tudo e não só para ele, eu por exemplo tinha medo do quanto o nascimento dele iria mexer com a rotina, com o meu casamento, com a relação homem-mulher entre eu e o Dori, pelo menos até agora pouca coisa mudou na nossa vida, com exceção das noites de sono entrecortadas com as mamadas do menino e de algum malabarismo para conseguir namorar enquanto ele dorme de resto nossas vidas continuam igual, com um ingrediente a mais, com mais cumplicidade, mais amor, mais felicidade isso sim!

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2 Respostas to “Vivendo e aprendendo”

  1. Dani abril 28, 2011 às 8:29 pm #

    Nossa, tudo absurdamente igual por aqui. Principalmente o planejamento das roupas. Dói no peito descartar roupas que ele sequer chegou a usar… E as trocentas roupas que comprei pro inverno e que não servirão mais quando ele chegar?
    Mas é isso mesmo, só aprendemos a ser mães sendo… É uma atividade imprevisível…

  2. Ana Luísa maio 1, 2011 às 6:57 pm #

    Ei Di! Isso deve ser bem aquela coisa de: “Eu sabia tudo sobre ser mãe, até ter meus filhos”. Mas tem que ser assim. Em tudo na vida a gente cria verdades absolutas, e só vivendo é que vamos descobrir que a banda toca de forma bem diferente. O importante é que está tudo dando certo, do jeito que tem que ser, não exatamente do jeito que você achou que seria. =]
    E o Nicolino tá um bochechudo lindo! Que vontade de morder!
    Beijos

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