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Mãe é sempre um ET

26 fev

Desde que me descobri grávida senti como se eu fosse um ser estranho toda vez que dizia para alguém que faria o possível para ter um parto normal e de preferência (se aguentasse) sem analgesia, sempre achei no mínimo curioso perguntarem se eu tentaria um parto normal como se parir não fosse algo natural, o que claro de certa forma não o é pelo menos em nosso país, a cada resposta afirmativa, ou quando eu estava de saco cheio e diria que não tentaria, que teria um parto normal, era como se eu fosse uma Alice encolhida no país das cesáreas.
Passei pelo menos umas 36, 37 semanas sendo o ET que estava insistindo contra o que é normal só para ser “a diferente” sem que qualquer pessoa ao me julgar pelas minhas respostas ouvisse os motivos das minhas escolhas.
Desde que ultrapassei a cabalística marca de 35 semanas de gestação meu humor, disposição, forma, mudaram completamente, a barriga que já estava bem grande deu uma espichada monstro, os pés que vinhas inchando moderadamente começaram a ficar roxos em alguns momentos de tão grandes que estão, as noites que eram difíceis passaram a ser praticamente inteiras em claro, idas mais frequentes ao banheiro e dificuldade para manter a independência de fazer tudo sozinha me tornaram cada vez mais indisposta, irritada, desanimada, até que há mais ou menos uma semana tive uma crise nervosa daquelas, comecei a pensar nas contas para pagar, nas coisas a fazer antes do Nicolas nascer, no que precisava resolver na rua e dependia de alguém me levar porque mal chego na esquina andando, o medo do que está por vir, o exame que não consegui marcar antes da data prevista para o parto, tudo foi acumulando e explodi de maneira tal que deixei o Dori apavorado. Não foi uma crise de choro comum, foi um berreiro digno de quem acabou de perder um ente querido, foi falta de ar de tanto chorar, foi descontrole total o que fez meu querido marido sentar comigo e dizer que não tava dando, que se com 37 semanas eu estava naquele estado como ficaria se a gestação se arrastasse até as 41? Mais um mês só piorando não foi uma imagem muito confortável na minha cabeça o que claro, me fez chorar mais alguns litros.
No dia seguinte ao ATP tínhamos consulta pré-natal , quase 38 semanas completas e o moleque não tinha dado nem sinal de que desceria e encaixaria, tudo dentro do normal mas como prevíamos a tendência é que ele não daria sinal de nascer antes da data prevista e pela falta de pressa provavelmente iria mais longe, conversamos então com a obstetra sobre a possibilidade (ainda remota na minha cabeça) de ele não encaixar e precisarmos fazer uma intervenção no final e ela confessou que as chances eram grandes já que vamos falar a verdade, para primeira gestação não é assim tão fácil tudo acontecer magicamente na hora do trabalho de parto, foi quanto comentamos com ela sobre uma conversa que tivemos à respeito da possibilidade de marcar uma cesárea eletiva antes da data prevista para o parto.
Para resumir tudo entramos em acordo com a minha médica de marcar a cesárea para o início das 39 semanas, o que vem a ser a semana que vem e que se o moleque desse sinais de que estava vindo naturalmente suspenderíamos o plano.
Essa semana na última ultra descobrimos que o filhote está bem grande e saudável e na consulta a médica viu que ele resolveu encaixar, mas não estou tendo nenhum sinal de que o trabalho de parto vai rolar tão cedo, mantivemos a data para a terça-feira dia 01 de março as 11h.
Falei tudo isso para chegar ao outro ponto da história, a partir do momento que por conveniência, fraqueza, cansaço, (insira aqui um motivo) eu aceitei que faria a cirurgia passei novamente a ser vista como um extraterrestre, aí pensei, mas peraí, eu não era a estranha quando queria parir? Agora sou um ET porque resolvi sucumbir ao bisturi?
Percebi que algumas pessoas torceram o nariz e outras até deixaram de falar comigo como antes depois que disse que não tô mais aguentando e acho que o Nicolas não virá naturalmente.
A verdade é que não, eu não estou satisfeita, mas tomei uma decisão por mim mesma, pesei os prós e ou contras para todos os envolvidos, eu, meu filho e meu marido e cheguei à conclusão de que embora minha gestação seja totalmente saudável e sem intercorrências desde o início não quer dizer que tudo será um mar de rosas até o fim e aliás não está sendo e que o parto normal que sonhei talvez não aconteça da mesma maneira e eu ficar esperando nessa pilha, ansiosa, preocupada, só está fazendo mal pra mim, pro filhote e pro marido que sim, está sofrendo tanto quanto eu e não tem a menor noção de como ajudar e como agir nessas horas.
O negócio é que decida o que decidir, pense como pensar você sempre será julgado por quem pensa diferente, mesmo que você não pense tão diferente assim, me surpreende que hoje em dia seja tão difícil encontrar pessoas com a mente aberta o suficiente para aceitar que não precisamos estar em extremos e que pensar um pouco diferente de você não faz a pessoa melhor ou pior, aliás, quem disse que o que você pensa é necessariamente o melhor até para você?
Já fui bem mais radical no que diz respeito ao parto, já discuti bastante sobre isso e continuo achando que a gente nem devia ter essa escolha, como disse antes não estou tão animada e satisfeita em fazer a cesárea, na verdade estou um pouco decepcionada e conversando com meu pequeno para ele me surpreender e vir logo antes de terça, mas é uma decisão que para o momento que estou vivendo é a melhor.
Não existe certo e errado quando você analisa com mais cuidado as decisões das pessoas e seja qual for o seu lado da história sempre haverá alguém que te olhará torto e vai te considerar um ET basta que você pense diferente dele, só tome cuidado quando alguém pensar diferente de ti e você o julgar dessa forma, a gente tem esse péssimo hábito de fazer com o outro o que não gosta que façam com a gente…

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E a jornada vai chegando ao fim…

13 fev

Ou apenas começando, não sei exatamente em que parte do caminho me encontro, não sei se são jornadas distintas, uma que acaba agora e outra que vai se iniciar ou se é tudo parte de uma única caminhada que começou há vários anos e que não vai acabar.
O fato é que estamos quase entrando no marco de 37 semanas de gestação, meu filho já pode nascer sem ser considerado prematuro e meu corpo já há algumas semanas dá sinal de que ele realmente está para chegar, como estou me sentindo em relação à isso? Um turbilhão de sentimentos, sensações, pensamentos, uma enxurrada de coisas passa pela minha cabeça todos os dias e principalmente nas noites que já eram complicadas e hoje têm sido praticamente em claro.
Você já reparou que a gente é propenso a ter pensamentos malucos em algumas situações específicas como no banho e nas noites insones? No meu caso o banho é sempre ninho de planos para dominar o mundo e resolver os problemas mais difíceis e as noites mal dormidas servem para alimentar minhoquinhas e grandes caraminholas que me assombrarão e com certeza farão com que aquele resquício de sono que estava ali vá embora e assim mais minhocas aparecerão e bem, dá pra imaginar onde vai parar a criatividade e a propensão a pensamentos ruins.
Enfim, voltando ao início, ou melhor ao fim, estamos chegando ao final de uma gestação tranquila, abençoada e muitíssimo desejada, passou rápido, não, não, passou voando, sinto uma culpinha por não ter aproveitado mais, por não ter fotografado mais, por não ter batido mais perna com a barriga à mostra por aí, por não ter tomado total consciência da grandiosidade de tudo o que está acontecendo conosco, mas sinceramente, acho que nunca seria o suficiente, se tiver outra oportunidade de gerar um filho também acharei que não curti o suficiente esse período mágico e também todos os outros, simplesmente porque todas as fases passam e tudo o que é prazeroso passa voando e deixa esse gostinho de quero mais. Não, eu não quero mais agora não, por enquanto e por um longo período o Nicolas continuará a ser filho único, não temos espaço físico, financeiro e psicológico pra mais ninguém por aqui, mas não é uma decisão definitiva afinal nada na vida é tão definitivo assim.
É meio clichê dizer que a gravidez me transformou, como mulher, como ser humano, mas é a mais pura verdade, aprendi coisas sobre mim e sobre o mundo que não percebia antes, me descobri mais forte e mais decidida do que imaginava, redescobri laços que não percebia mais que existiam, vi minha vida e meu casamento se transformarem e não apenas pelo filho que está chegando, mas por mim e pelas mudanças que aconteceram comigo.
Eu acho que finalmente consegui passar de fase, subir ao patamar de mulher e deixar pra trás aquela vidinha de menina, passar de filha a mãe é um processo extremamente difícil e até doloroso e estar passando por isso está me renovando e me fortalecendo, estou gostando disso, de tomar certas rédeas que não me pertenciam e eu fingia que tinha em minhas mãos, estou me sentindo poderosa, bonita, forte e isso faz bem, principalmente a uma pessoa predominantemente depressiva como eu, sim pq fazer graça de tudo, viver rindo das desgraças e não reclamar o tempo todo não faz de mim uma pessoa sempre alegre, sou otimista sim e isso é o que mais me faz depressiva pois acredito sempre de mais e sofro na mesma proporção, enfim, acho que todo esse processo pelo qual passei e estou passando está me deixando mais forte e mais resistente em relação à essa tendência a deprimir, acho que é o tal do instinto que me faz querer ser melhor para o meu filho que está chegando.
E como tudo o que acontece por aqui, na gravidez não seria diferente, estamos vivendo isso juntos e crescendo juntos, embora muitas vezes não pareça eu e o Dori somos um casal bastante unido, do tipo que não toma decisão sozinho, do tipo que compra tudo em número par para não faltar para o outro e que está curtindo junto todas essas loucuras da chegada do moleque.
Eu já esperava que meu marido fosse ficar feliz em ser pai e sei que ele é um cara atencioso embora sempre meio calado, mas confesso que estou muito feliz em ver a dedicação dele para mim, é muito mais do que cuidar do casulo que guarda seu filho, é cuidar da mulher que ama, é elogiar, fotografar, beijar não apenas a mãe, mas a esposa, é se preocupar em como eu estou me sentindo e não só em como está o bebê e isso não é algo que uma grávida está acostumada a receber, passamos de mulheres à receptáculo de bebê e até gostamos disso, mas me sentir mais amada, mais protegida e mais desejada dá uma bela de uma injeção de ânimo principalmente nesse fim de caminhada quando a disposição e a vaidade costumam parar lá nos pés (inchados).
Então, como já disse várias vezes ao longo desse longo texto, estamos no fim, num fim que é apenas mais um começo, chegamos ao ponto extremo de uma caminhada que esperei minha vida inteira para percorrer, que confesso não acreditava que conseguiria e que percorri o mais lentamente possível para tentar acreditar que era de verdade e confesso que ainda não acredito, ainda não caiu a tal da ficha de que seremos pais, de que o Nicolas realmente está chegando, que aquele lindo quarto que montamos estará cheirando a bebê daqui a no máximo 4 semanas, ainda não acredito que meu sonho maior está se realizando e foi tão tranquilo, tão bom, tão feliz até aqui que só pode continuar sendo uma beleza na próxima etapa.

… Vamos viver

Temos muito ainda por fazer

Não olhe pra trás

Apenas começamos

O mundo começa agora

Apenas começamos…

(Metal contra as nuvens, Legião Urbana)

Todos os caminhos levam à gravidez

22 out

Outro dia estava vendo a Elisa Leme, do delicioso blog Ela fala e sai andando, dizer no twitter que após 2 posts sobre a recente gravidez já tinha gente dizendo que ela estava monotemática, pelo jeito a pessoa que comentou isso não faz ideia do que acontece com a gente depois daquelas listras no teste de farmácia. É impossível evitar que todos os caminhos converjam para o mesmo assunto, é inevitável não falar e não pensar nessa vidinha a cada segundo do dia, é incontrolável a vontade de relatar cada sintoma, cada mudança, cada novidade.
Quando descobri que estava grávida cogitei a idéia de montar um novo blog só pra falar sobre o assunto, mas cheguei à conclusão de que não seria legal afinal esse é um blog pessoal e nada mais pessoal do que falar do filho que estou gerando, também achei que voltaria a postar como antes mas apesar da vontade e das tantas novidades as circunstâncias não me deixam, o fato é que cada vez que penso em sentar a bunda em frente ao computador e redigir um post o assunto que vem à cabeça é o meu filhote, e quem vai dizer que estou ficando repetitiva com tanta coisa pra falar, eu ainda não comentei aqui que confirmamos que é mesmo um menino, que já decidimos que ele se chamará Nicolas, que o moleque tá chutando, cabeceando e defendendo pênaltis como ninguém, que é um bebê bem grande pela medida da última ultrasson, que ganhamos mais e mais presentes, que a montagem do quartinho está pra começar nos próximos dias, tantas e tantas coisas e ainda tem gente que acha que falar da maternidade é ser monotemático, nota-se que se trata de gente que nem faz idéia do quanto um filho pode acrescentar.
Para variar o assunto um pouco saibam que minha reforma acabou, agora estamos criando coragem pra começar a pintura, ando cansada que só mas vale a pena quando vejo que está tudo se ajeitando, quero retomar alguns projetos, costurar um pouco mais, cuidar de mim e vamos ver se apareço por aqui de vez em quando para falar sobre a vida, as novidades e claro, sobre o fantástico mundo da gravidez.

Os pais nascem antes

27 set

É Impressionante constatar que a gravidez não é apenas uma trajetória para conhecermos nosso filho mas também um caminho de auto-conhecimento e de conhecimento do outro.
Ao longo de quase 10 anos de casamento construi uma imagem de maternidade um pouco diferente do que estou vivendo, eu achava que meu mundo ficaria cor de rosa e que sorriria o dia todo, que meu sexto-sentido faria com que eu soubesse desde o início o sexo do bebê, que eu sentisse cada movimento dele dentro de mim e que saberia tudo sem temer nada. Não me entendam mal, estou feliz, nas nuvens e realizada, mas como já disse várias vezes em outros posts tenho medos, dúvidas, sentimentos ruins e desconfortos, estar grávida é belo mas engana-se quem acha que é só glamour, tem os enjôos (eu não tive graças à Deus), o peso a mais para carregar no corpo, as noites difíceis, dores, desconforto, enfim, o lado negro da coisa, também existe a insegurança e muitas vezes a falta de apoio do parceiro o que no meu caso não é um problema pois tenho ao meu lado o cara mais legal do mundo.
Como disse lá no início a gestação tem sido um período de conhecimento e estou conhecendo um Dori que não sabia que existia, não que ele fosse um mau marido, nada disso, mas hoje meu marido é um parceirão muito mais ativo (no bom sentido) do que antes, ele vai em todas as consultas, ultrassonografias, feiras de gestante e peregrinações que eu pedir, ele me ajuda em casa e pergunta o tempo todo se estou bem, opina nas coisas do bebê e na decoração do quarto, um pai totalmente presente e tenho absoluta certeza de que será um pai perfeito quando nosso filhote nascer.
A Jane postou  no Mulheres Impossíveis um texto sobre quando nasce o pai, o pai do meu filho nasceu com as 2 linhas vermelhas do meu teste de farmácia, demorou um pouco para cair a ficha é verdade, a minha também, mas desde o início ele está sendo pai, participando e decidindo junto, sendo um marido paciente e companheiro e descobrir isso ajuda a construir minha identidade como mãe e a fortalecer nossa família.
Também tenho me sentido mais mãe, mais forte como tal, cresce a cada dia o sentimento que cultivo pelo meu bebê, aquele que será o amor maior da minha vida, tenho vontade de conversar com ele cantar, dizer que pode ficar tranqüilinho que seremos pais bacanas, divertidos e boa-gente, tenho sido menos grávida e mais mãe do que eu imaginava que seria nessa fase da gravidez, acho que estou amadurecendo como mulher e ficando mais forte, o que é bom já que serei o ser mais importante pra essa criaturinha que colocarei no mundo.
Ainda não conseguimos confirmar o sexo do nosso baby apesar das apostas cada vez mais sólidas em um menino, mas já sabemos que nós somos os pais dele e já estamos construindo o lar em que ele viverá com muito amor.

Admirável mundo novo

15 set

Há alguns meses que minha vida tem sido de constante mudança, não há dia ou semana igual, não há manhã parecida a cada noite dormida e a única coisa em comum além do filho que espero está o fato de estar também carregando dúvidas. Muitas, grandes, variadas, as dúvidas me enchem diariamente, o medo e a insegurança também rondam de vez em quando, mas aquela sensação de não ter mais o controle sobre o que acontecerá amanhã me amedronta bastante. Também tenho certezas, sei muitas coisas que quero como gestante e futuramente como mãe e não tenho medo de contrariar as pessoas a minha volta que não pensam como eu como também não tenho medo ou vergonha de a qualquer momento perceber que talvez seja melhor mudar de ideia, acredito na escolha e quero construir minha maternidade sobre ela, não no tem que ser assim mas no eu optei que fosse assim, acertando, errando, fazendo escolhas boas ou ruins, não tendo medo de mudar de ideia, mas assumindo o controle sobre o incontrolável. Quanto aos medos, os tenho também em relação às minhas decisões, medo do que não conheço e das minhas opções colocarem meu bebê em risco, quero ter um parto normal, o mais natural possível, acredito que é o melhor e não abro mão, não quero uma cesária desnecessária, não acredito em parto com hora marcada e não o quero pra mim, mas até onde levar uma decisão como essa se a G.O. disser o contrário, até onde questionar o trabalho de um médico? Não sei, tenho medo, tenho dúvidas embora tenha minhas convicções, o que farei? Tentarei ser o mais franca possível com minha médica, ter o máximo de segurança no trabalho dela e me informar da melhor maneira possível, acho que as chances de reduzir danos e as coisas correrem bem são maiores assim. A grande verdade e a única certeza que tenho sobre todo esse processo é que desde o dia que olhei para aquela tirinha de papel com 2 listrar vermelhas nunca mais me senti totalmente segura, nunca mais meus dias foram iguais e não serão mais pois tudo é descoberta, tudo é dúvida, tudo é escolha, escolher o médico, o parto, o hospital, as roupinhas, a decoração, a maneira de educar, como alimentar, a escola, tudo, a vida que já é uma eterna escolha ganha peso maior quando as suas escolhas interferem na vida de alguém por quem você é responsável, do cidadão que você está construindo para o mundo. Responsabilidade, uma grande responsabilidade pesa nos ombros dos pais, eu acredito que seremos bons pais, que construiremos uma pessoa legal com os valores que acreditamos serem importantes, erraremos, acertaremos, voltaremos atrás, mas espero fazê-lo sempre com a responsabilidade da escolha nas minhas mãos e o medo colocado em último plano.

Dormindo com os anjos?

12 ago

Eu que já acordava na madrugada para ir ao banheiro tenho acordado mais ainda, na maioria das vezes nem olho a hora ou acendo luzes que é pra não perder o sono, embora ultimamente nem precise levantar para perdê-lo, essa noite não foi diferente, acordei á pelas tantas sem sono e precisando ir ao banheiro, fui voltei e cadê que dormia novamente, um cochilinho veio e acordei novamente com um barulhinho de água irritante, achei que fosse a torneira do banheiro que eu tivesse deixado vazando, mas quando virei de lado percebi que era do filtro do aquário num gotejar fora de compasso que me irritava cada vez mais.

Depois de um tempo virando de um lado para outro resolvi olhar no relógio digital do aparelho de TV à cabo, era 3 e 15 se não me engano, levantei (sentindo um frio do caramba), mexi no filtro e voltei a deitar, ele parou de gotejar mas ficou fazendo um zunido que parecia vir de dentro da minha cabeça, levantei novamente mexi nele e agora gotejava e zunia, puxei o dito cujo da tomada, me deitei aliviada, a essa altura até sentindo calor e precisando novamente ir ao banheiro, contemplei finalmente a beleza do silêncio, até um galo desavisado começar a cantar e as minhas cachorras gemendo e roncando num compasso só dormindo do lado de fora.

Isso tudo dormindo com o colchão no meio da sala para evitar o barulho de uns pombos que resolveram se instalar no telhado acima do meu quarto…

O que eu quero ser…

10 ago

As pessoas dizem freqüentemente que a maternidade (ou a paternidade), as transforma em pessoas melhores, a responsabilidade e a certeza de ter alguém que depende de você fazem com que repense várias atitudes, é o mudar em nome de um amor incondicional e do instinto de proteção da cria.

Ainda não posso dizer que sou mãe e que sinto esse amor incontrolável, mesmo um amor de mãe para filho é construído através de uma relação que muitas vezes começa ainda dentro do ventre e em outras só rola depois de algum tempo que o bebê nasceu. Eu confesso que em alguns momentos até esqueço que estou grávida mas desde o primeiro momento em que a gravidez se confirmou venho pensando muito em que tipo de família quero que esteja esperando o meu filhote, que tipo de mãe eu quero ser e principalmente que tipo de ser – humano quer colocar no mundo.

Tenho prestado mais atenção em outros pais e seus filhos, nas relações construídas, na forma como educam e na maneira como dedicam seu tempo às crianças, tenho tentado absorver o máximo de informação a respeito e aos poucos estou formando a minha própria idéia do que quero ou não na minha casa.

Da forma como quero cuidar do bebezinho quando chegar em casa pequenininho até o que desejo colocar na mesa para o meu herdeiro comer depois de maior, tudo tem sua importância, tudo reflete que tipo de mãe eu desejo ser, se vou conseguir fazer tudo o que desejo e acredito? Não sei, provavelmente mudarei de idéias no meio do caminho, testarei várias formas de fazer a mesma coisa até que encontre a melhor para a nossa família, mas uma coisa que não quero e vou repetir esse mantra sempre para não cair em tentação, é tentar justificar atitudes como um “eu tive que fazer assim”, “não queria mas não teve outro jeito”. Acredito que sempre temos escolhas, algumas fazemos por convicção outras por comodismo ou influências externas, mas em nenhum momento de nossa vida tomamos uma atitude sem a opção de escolha, claro que toda escolha tem uma conseqüência, muitas vezes essa conseqüência quer dizer mais trabalho, menos tempo disponível, sacrifícios, mas sempre há uma escolha, mesmo em coisas que não percebemos e nunca quero esquecer isso, pois principalmente no que diz respeito à criação do meu filho quero sempre fazer as escolhas, mesmo que depois seja preciso mudar de idéia e escolher de volta.

Quando penso que a trajetória está mal começando e que terei muitas e muitas dúvidas, insegurança, frustrações, dificuldades, tenho muito, mas muito medo, acho que não serei capaz de realizar tudo o que sempre desejei, mas aí penso que é tudo uma questão de se fazer o que acredita e viver 1 dia de cada vez, tomar as rédeas da situação e saber a hora de pedir ajuda ou simplesmente parar para respirar, aí volto acreditar que posso dar conta sim.

Em minha defesa acho que conta o fato de eu ser uma pessoa legal, honesta e tudo mais, poxa sou uma dona de casa bem eficiente e como esposa o Dori também não tem muito o que reclamar, claro que sou meio estabanada, insegura e desastrada, mas aí é que entra o pai né? E não é querer me gabar mas pelo andar da carruagem meu marido será forte candidato a melhor pai do mundo pois desde já está me ajudando muito e super interessado na gravidez, é meio apressado e quer logo ver a barriga crescer, mas quem é perfeito?