Tag Archives: Dia das Mães

Mães

9 maio

Então hoje é dia de parabenizar as mães, não gosto muito desses dias pré-frabicados para homenagear certos grupos de pessoa, acho que sempre deixa alguém carente além de servirem para aumentar o consumismo, mas já que existem faz parte do figurino participar também.

Minha mãe é, hoje e em todos os dias da minha vida, a pessoa mais importante emais especial, minha fortaleza, meu alicerce, minha paixão, não posso me imaginar sem ela e não gosto da idéia de que ela não será eterna (saco), sei que como todas as mães e seres humanos em geral ela comete erros mas que eles são tão pequenos perto do que ela faz de bom que quando e se um dia eu for mãe quero ser só a metadinha do que ela é que já serei uma grande mãe para o meu biscuit!

Para a minha mãezinha, minha sogra, minhas irmãs e minha cunhada, para todas as mães blogueiras, twitteiras e para aquelas que ainda são só filhas, para os pais/mães que criam seus filhos sozinhos, pra geral todinha, um feliz dia das mães, um feliz amahã, um ano feliz, uma vida feliz, muito amor e muito reconhecimento por parte de nós filhos chatos e ingratos!

Anúncios

O ano em que eu tive um dia das mães

9 maio

Era dia 30 de Abril de 2004 quando achei que algo estava diferente, acho que no fundo o coração sabia o que estava acontecendo, mas havia prometido ser mais racional quando o assunto fosse esse. Quando a nova ginecologista levantou a hipótese de gravidez novamente os batimentos aceleraram e um leve eu já sabia passou pela mente, mas a nova Diana racional resolveu esperar para ver e a espera levou ainda uns dias, mais precisamente 5 dias.

Nunca vou esquecer dessa data, ficou marcada para sempre como o melhor e o pior dia da minha vida, sempre planejei mil maneira de contar ao Dori que seríamos pais mas nenhuma delas passaria perto da forma como aconteceu, como a médica estava desconfiada de uma gravidez devido ao tamanho aumentado do meu útero e o corpo lúteo encontrado no meu ovário esquerdo em uma ultrassom, me passou a requisição de um exame de Beta HCG para eu fazer uma semana depois, como eu não menstruava há 4 meses não tínhamos idéia de quando eu ovulei, só a certeza de que havia ovulado, no dia 05 de maio fui tomar banho e notei um sangramento forte, quando vi um coágulo imenso estava o chão do box, chorei horrores e quando saí liguei logo para a doutora que me mandou para o laboratório fazer o beta, se desse positivo eu poderia estar abortando.

Fui correndo fazer o exame e a espera até o fim da tarde foi imensa, na época o Dori fazia um curso técnico e estava em fase de trabalhos e provas finais, não podia faltar aula mas ficou de pegar o exame no laboratório e me ligar da rua caso eu não conseguisse o resultado por telefone, liguei lá e como conhecia a menina da recepção pedi que ela abrisse o envelope e lesse o resultado, jamais vou esquecer da voz dela ao telefone “alô Diana, o resultado é positvo.” Eu não sabia se ria ou chorava, o meu marido ainda não tinha saído de casa, estava finalizando um trabalho com uma colega de turma (que eu odiava), eu larguei o telefone e fui chorando dizer pra ele o resultado, àquela altura sabíamos que não era certeza que nosso bebê nasceria.

Foi 1 mês de repouso, fazendo ultrassonografias que não encontravam nada e exames de sangue positivos, 4 semanas de sofrimento e dúvidas, de mal atendimento na mais respeitada clínica de imagem da cidade, sentindo dores e não podendo comemorar, foi 1 mês rezando e tendo muita fé, assim passei um dia das mães, acreditando que tudo ficaria bem, em meio a sangramentos, dúvidas, exames e dores, mas me sentindo mãe, foi estranho e complicado, não saber o que esperar, não saber o que estava acontecendo, foi desesperador.

Até o dia em que senti tanta dor, mas tanta dor que tive que ir na emergência do hospital, chamaram minha médica que levantou pela primeira vez a hipótese em que eu já havia pensado mas não queria mencionar para ninguém, a de uma gravidez ectópica, pediu que eu fizesse uma nova ultra em uma maternidade de Curitiba e disse que lá era o lugar em que ela realmente confiava, era a última tentativa de encontrar meu filhote.

Fomos dois dias depois, uma terça-feira, eu minha mãe e meu pai, entrei na maternidade já chorando, eu sabia o que ia ver, da mesma forma que eu sabia que estava grávida antes de fazer o exame eu também sabia o que ia encontrar, era simples, como somar, o corpo lúteo visualizado na primeira ultra era no ovário esquerdo, minhas dores eram do lado esquerdo, tinha umas 5 ultrassonografias sem nenhum embrião no útero, só não entendia porque até agora ninguém tinha enxergado, só durante o exame fui entender. O médico que me examinou foi super-atencioso, explicou o procedimento, eu faria um exame transvaginal e outro abdominal, ele me virou do avesso, me apertou, apalpou, eu chorava de nervoso, de medo e de muita dor de tanto ser apertada, até que ele acho, na minha trompa esquerda algo estranho, ligou imediatamente para a minha médica e só deixou eu sair de lá depois da certeza que ela me atenderia naquela hora.

Meu chão sumiu, é diferente você sentir que algo está acontecendo e alguém lhe dizer que está, anos de sonhos, planejamentos e as coisas saindo totalmente diferente do que eu esperava, nessas horas ninguém pensa que acontece, que é algo comum a que qualquer pessoa está sujeita, ninguém consegue agradecer por estar viva quando sabe que irá para um hospital para retirar o filho tão esperado porque ele não vai nascer.

Internei no dia 02 de junho, outro dia que ficará na memória, depois de toda revolta, de todo choro tentei ser o mais objetiva possível, tem que operar então vamos lá, fui operada no fim do dia e fiquei três dias internada, minha trompa precisou ser retirada e por pouco, pouquíssimo mesmo não rompeu, o sangramento que eu estava tendo já era hemorragia vinda da trompa que estava se rompendo, pois é, quase que morri. Depois que peguei o resultado da análise descobri que o embrião tinha 4,5cm, enorme para uma trompa, foi Deus quem fez com que fosse descoberto a tempo.

É complicado falar de uma perda assim, eu não tive um filho, não o amamentei nem vi seu rosto, sei que minha dor é infinitamente menor do que a de uma mãe que precisa enterrar seu filho amado, mas sei que toda essa complicação, a situação em si, o desgaste de não saber o que estava acontecendo e a forma como acabou é diferente de um simples aborto espontâneo, digamos que estou no meio, a frustração e a dor são grandes e somadas à multilação e a cicatriz da cirurgia transformam a ferida em algo que não vai embora nunca mais, está ali, tatuada na minha barriga como uma cesárea para me lembrar que um dia eu tive um filho dentro de mim mas que não o tenho ao meu lado.

Não sou uma pessoa amarga por isso, nem desisti do meu sonho de ser mãe, claro que estou sempre adiando as tentativas porque o medo sempre vem, o medo de falhar, o medo de passar por isso de novo e a certeza de que se acontecer as possibilidades acabaram ali. As dores vêm sempre para nos ensinar de alguma forma, a minha me tornou um pouco mais forte, me fez ver que nem sempre receber o que pedimos é necessariamente bom, eu sempre pedi a Deus para ficar grávida e jamais atentei para as complicações que esse desejo poderia ter, o que passei foi só uma dessas coisas, poderiam ser pior, acima de tudo isso minha experiência me fez pensar mais antes de reclamar da vida ou do que eu não consigo ter, Deus sabe exatamente o que faz, sabe porque cada um precisa passar por algo, e deve saber quando será minha hora de ser mãe e se essa hora vai chegar, não adianta querer apressar as coisas, não adianta contrariar, só cabe a mim agradecer pela minha vida e pela minha lição.