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E a jornada vai chegando ao fim…

13 fev

Ou apenas começando, não sei exatamente em que parte do caminho me encontro, não sei se são jornadas distintas, uma que acaba agora e outra que vai se iniciar ou se é tudo parte de uma única caminhada que começou há vários anos e que não vai acabar.
O fato é que estamos quase entrando no marco de 37 semanas de gestação, meu filho já pode nascer sem ser considerado prematuro e meu corpo já há algumas semanas dá sinal de que ele realmente está para chegar, como estou me sentindo em relação à isso? Um turbilhão de sentimentos, sensações, pensamentos, uma enxurrada de coisas passa pela minha cabeça todos os dias e principalmente nas noites que já eram complicadas e hoje têm sido praticamente em claro.
Você já reparou que a gente é propenso a ter pensamentos malucos em algumas situações específicas como no banho e nas noites insones? No meu caso o banho é sempre ninho de planos para dominar o mundo e resolver os problemas mais difíceis e as noites mal dormidas servem para alimentar minhoquinhas e grandes caraminholas que me assombrarão e com certeza farão com que aquele resquício de sono que estava ali vá embora e assim mais minhocas aparecerão e bem, dá pra imaginar onde vai parar a criatividade e a propensão a pensamentos ruins.
Enfim, voltando ao início, ou melhor ao fim, estamos chegando ao final de uma gestação tranquila, abençoada e muitíssimo desejada, passou rápido, não, não, passou voando, sinto uma culpinha por não ter aproveitado mais, por não ter fotografado mais, por não ter batido mais perna com a barriga à mostra por aí, por não ter tomado total consciência da grandiosidade de tudo o que está acontecendo conosco, mas sinceramente, acho que nunca seria o suficiente, se tiver outra oportunidade de gerar um filho também acharei que não curti o suficiente esse período mágico e também todos os outros, simplesmente porque todas as fases passam e tudo o que é prazeroso passa voando e deixa esse gostinho de quero mais. Não, eu não quero mais agora não, por enquanto e por um longo período o Nicolas continuará a ser filho único, não temos espaço físico, financeiro e psicológico pra mais ninguém por aqui, mas não é uma decisão definitiva afinal nada na vida é tão definitivo assim.
É meio clichê dizer que a gravidez me transformou, como mulher, como ser humano, mas é a mais pura verdade, aprendi coisas sobre mim e sobre o mundo que não percebia antes, me descobri mais forte e mais decidida do que imaginava, redescobri laços que não percebia mais que existiam, vi minha vida e meu casamento se transformarem e não apenas pelo filho que está chegando, mas por mim e pelas mudanças que aconteceram comigo.
Eu acho que finalmente consegui passar de fase, subir ao patamar de mulher e deixar pra trás aquela vidinha de menina, passar de filha a mãe é um processo extremamente difícil e até doloroso e estar passando por isso está me renovando e me fortalecendo, estou gostando disso, de tomar certas rédeas que não me pertenciam e eu fingia que tinha em minhas mãos, estou me sentindo poderosa, bonita, forte e isso faz bem, principalmente a uma pessoa predominantemente depressiva como eu, sim pq fazer graça de tudo, viver rindo das desgraças e não reclamar o tempo todo não faz de mim uma pessoa sempre alegre, sou otimista sim e isso é o que mais me faz depressiva pois acredito sempre de mais e sofro na mesma proporção, enfim, acho que todo esse processo pelo qual passei e estou passando está me deixando mais forte e mais resistente em relação à essa tendência a deprimir, acho que é o tal do instinto que me faz querer ser melhor para o meu filho que está chegando.
E como tudo o que acontece por aqui, na gravidez não seria diferente, estamos vivendo isso juntos e crescendo juntos, embora muitas vezes não pareça eu e o Dori somos um casal bastante unido, do tipo que não toma decisão sozinho, do tipo que compra tudo em número par para não faltar para o outro e que está curtindo junto todas essas loucuras da chegada do moleque.
Eu já esperava que meu marido fosse ficar feliz em ser pai e sei que ele é um cara atencioso embora sempre meio calado, mas confesso que estou muito feliz em ver a dedicação dele para mim, é muito mais do que cuidar do casulo que guarda seu filho, é cuidar da mulher que ama, é elogiar, fotografar, beijar não apenas a mãe, mas a esposa, é se preocupar em como eu estou me sentindo e não só em como está o bebê e isso não é algo que uma grávida está acostumada a receber, passamos de mulheres à receptáculo de bebê e até gostamos disso, mas me sentir mais amada, mais protegida e mais desejada dá uma bela de uma injeção de ânimo principalmente nesse fim de caminhada quando a disposição e a vaidade costumam parar lá nos pés (inchados).
Então, como já disse várias vezes ao longo desse longo texto, estamos no fim, num fim que é apenas mais um começo, chegamos ao ponto extremo de uma caminhada que esperei minha vida inteira para percorrer, que confesso não acreditava que conseguiria e que percorri o mais lentamente possível para tentar acreditar que era de verdade e confesso que ainda não acredito, ainda não caiu a tal da ficha de que seremos pais, de que o Nicolas realmente está chegando, que aquele lindo quarto que montamos estará cheirando a bebê daqui a no máximo 4 semanas, ainda não acredito que meu sonho maior está se realizando e foi tão tranquilo, tão bom, tão feliz até aqui que só pode continuar sendo uma beleza na próxima etapa.

… Vamos viver

Temos muito ainda por fazer

Não olhe pra trás

Apenas começamos

O mundo começa agora

Apenas começamos…

(Metal contra as nuvens, Legião Urbana)

Sobre o fim

7 jun

Dizer que está frio por aqui não é novidade nenhuma não é mesmo? Bem pois está, frio para caramba, muito frio mesmo, congelando!!!
O negócio com esse tempo é tentar diminiur o máximo possível as saídas e as atividades fora de casa, tentar ficar quietinha se esquentando no sofá, mas como Papai noel e a Fada do dente ainda não deram as caras por aqui continuo congelando vez ou outra, rsrs…
Esse período pós fechamento da locadora está sendo difícil mas aos poucos estou acostumando, é complicado ter seu mundo virado de cabeça para baixo e não ter absolutamente nada para fazer, fico até meio perdida quando alguém me pergunta o que faço e eu penso, penso e digo, nada.
Sempre que alguém falava sobre nossa rotina cansativa com a locadora eu dizia que eramos abençoados por fazermos o que gostávamos e ainda ganharmos dinheiro com isso, trabalhar com filmes era realmente uma realização. Quando a ficha caiu de que a segunda parte da história era uma verdadeira mentira, quando percebemos que não entrava mais grana e na verdade estávamos pagando para trabalhar, o que antes parecia um negócio que tinha chances de crescer se transformou em uma loja em decadência, perdemos o pique de trabalhar, investir, o tesão mesmo com o negócio, e cada dia sentada em frente ao balcão esperando pelos clientes se tornou uma tortura.
O que dizer então da paciência para aguentar aqueles “clientes” que chegavam dizendo que já tem tal filme, que o outro já saiu pirata e nós ainda não recebemos? Realmente não estava fácil, o saco estava cheio, a paciêcia esgotando e o corpo reclamando, já tinha dado o que tinha para dar e estava na hora de parar.
Fiquei dias doente pelo stress do fechamento, sofri muito como a pior das derrotadas, perdi uma batalha, perdi tudo o que tinha na vida, saí de mãos vazias de um negócio onde coloquei tudo, tudo mesmo o que eu tinha, mas não há o que fazer mais não é mesmo? Então o negócio agora é dar a volta por cima e começar de novo, assim é a vida e não adianta chorar, já se passou um mês e o tempo vai continuar passando, tudo vai se tornar só lembranças e outros projetos apareceram, quem sabe volto um dia a trabalhar com alguma de minhas paixões?
É esperar para ver…