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Momentos difíceis

23 ago

Certa vez li algo que me chamou atenção, a pessoa dizia que ao contrário do que se pensa é nos momentos alegres que descobrimos quem realmente é nosso amigo pois só os amigos verdadeiros resistem à nossa felicidade, pessoas para enxugar nossas lágrimas e “chutar o cachorro morto” sempre existem. Achei interessante e até concordei em partes, mas hoje reforço a idéia de que nos momentos de crise algumas pessoas se acovardam.

Em todos os momentos difíceis da minha vida me vi sozinha, perdi amigos e namorado quando estive em depressão,  enfrentei praticamente sozinha a quase separação quando o Dori adoeceu, só contei com a minha família (leia-se pai, mãe, marido e cunhada) quando perdemos nosso bebê, me decepcionei várias vezes com pessoas recorrentes em todas as vezes que precisei de ajuda, seja com câncer da minha mãe, nas vezes em que o Dori precisou me deixar sozinha com a locadora e em tantas outras que realmente precisei.

Neste fim de semana não foi diferente, acordei ontem cedinho com o telefone tocando e a notícia de que uma tia querida havia falecido, não foi nenhuma surpresa já que ela estava há dias internada e os médicos já tinham deixado a família informada sobre a situação, mas foi doloroso, difícil e inacreditável, embora a família da minha mãe seja numerosa e todos os irmãos estejam avançando na idade esta foi a primeira morte em quase 30 anos, depois da minha avó, que morreu pouco antes de eu completar um ano ninguém mais tinha nos deixado e o fantasma já não incomodava ninguém até chegar assim de sopetão e levar a irmã mais pitoresca de todas. Há alguns dias eu já ficava nervosa com telefonemas tarde da noite ou de manhã cedinho, e mesmo assim ontem  quando ele finalmente se confirmou fiquei angustiada e fui correndo ver minha mãezinha, sabia que seria difícil para ela e depois de tudo o que ela já passou e vem passando nos últimos tempos ia precisar de muita força.

Desde as 8h da manhã de ontem até o fim do dia e hoje até agora a pouco fiquei com a minha mãe, ela não me pediu ajuda ou companhia, não me pediu para cozinhar ou organizar nada para ela, não pediu que eu viesse embora com ela antes do enterro para que ela fosse poupada, não pediu que eu chorasse com ela ou fizesse piada para distraí-la, eu o fiz porque era meu papel, como filha, como pessoa, eu tinha que estar ali porque é o que as pessoas que amam fazem, apoiam e estão lá.  Minhas irmãs também estavam lá ontem, minha cunhada que nada tem a ver com a minha mãe fez questão de passar antes de seus compromissos e dar uma abraço, chorar junto com ela nem que fosse por 5 minutos, o Dori foi meu alicerce e meu amigo nesses 2 dias difíceis, mas como sempre houve dessa vez pessoas que não estiveram ao meu lado, ao lado da minha mãe ou da minha família, pessoas que sempre fazem parte dos momentos de discontração, das risadas e dos almoços da felicidade, pessoas que são figuras apenas de álbuns felizes mas que são ausências recorrentes nos momentos de crise, tudo bem cada um tem sua vida, suas prioridades e escolhas e o direito de se privar do que bem entende e com isso claro também planta atitudes que geram consequências para serem colhidas depois, não sou uma pessoa vingativa ou do tipo que só faz por quem faz para mim, ao contrário disso sou patidária do “fazer o bem sem olhar a quem”, mas acredito que tudo o que fazemos reflete em algum momento no que receberemos da vida.

Hoje em um domingo cinza, frio e triste, com os pés machucados sem nem poder calçar um sapato cozinhei novamente para minha mãe, me sentei na mesa com eles como em todos os domingos e tentei confortar mais um pouquinho minha amada mãezinha, aparentemente só eu tive essa idéia, só eu lembrei que a dor dela não foi embora com a noite e que ontem foi só o início de uma saudade que ainda vai doer muito até virar uma lembrança e com certeza estarei lá até que esse momento chegue…

É a vida…

12 nov

Ultimamente tenho pensado muito na vida, o que não é novidade, mas tenho feito isso de uma maneira diferente, não tenho pensado nos planos, nos problemas ou nas frustrações, mas na maneira como as coisas pelas quais passamos podem nos transformar de uma maneira positiva ou negativa.

Se qualquer pessoa for olhar para a minha vida vai dizer que não vivi nada, não acabei minha faculdade, não casei na igreja, não tive filhos, não perdi ninguém importante, não tive grandes felicidades tampouco grandes frustrações, no entanto penso que o tamanho da conquista ou da dificuldade é diferente para cada um, o que aos olhos dos outros parece nada para você pode ser a maior dor ou alegria do mundo, e só a sua maneira de vivenciar isso pode avaliar, e eu acho que já vive um bocado de coisas e aprendi muito com elas.

Já tive três grandes momentos de decisão, quando decidi sair da casa dos meus pais, quando decidi continuar casada e quando decidi vender minha casa, não foram decisões só minhas, foram as três decisões que tomamos como um casal, como uma família, mas é claro que a cada um coube pensar e refletir sobre o que queria e posso dizer que também foram três divisores de água, as três oportunidades que tive de mudar totalmente minha vida e embora não tenha certeza se tomei as atitudes certas não me arrependo de tê-las tomado e sou feliz independente do rumo que minha vida tomou com cada uma delas.

Eu tive alguns momentos difíceis até hoje, a crise no meu casamento, a interrupção da minha gravidez e o câncer da minha mãe, todos foram contornado, superados? Não sei, de vez em quando alguns fantasmas me atormentam, mas posso dizer que os momentos mais difíceis foram os que mais ensinaram, da mesma forma em que os complicados momentos de decisão, as crises também exigem de nós uma atitude firme e acho que quando cai da real e percebi isso em cada uma dessas situações foi o momento em que comecei a receber minha lição. Claro que não sofri só nesses momentos, até a perda da minha cachorra foi motivo de sofrimento, os problemas financeiros, renunciar à faculdade, a instabilidade, os problemas das pessoas que amo, tudo é motivo de dor e desgaste e porque não de aprendizado, mas acho que alguns momentos como os que citei antes são importantes para revelar o que somos e nos fazer refletir sobre como queremos ser.

Até existir a possibilidade de o meu marido ir embora nunca havia pensado no quanto minha insegurança e dependência poderiam fazer mal a nós dois, também não sabia o quanto eu era ingrata comigo e com Deus até perder o maior sonho da minha vida que parecia estar em minhas mãos quando tive a notícia que não teríamos o nosso bebê, só quando minha mãe me falou de sua doença percebi que visitá-la todo dia não era suficiente, eu precisava demonstrar mais meu amor e curtir cada momento com ela, eu devo minha vida a ela e os minutos diários muitas vezes mal-humorada não bastavam para dizer o quanto a amo e sou grata por tudo.

Enfim, também tenho muita coisa boa para contar, muitas risadas, muito amor, muita felicidade, quando passei no vestibular, a compra da nossa casa e depois ver minha locadora montada, cada momento pequeno e simples de felicidade como nossas duas viagens ao Rio também têm grande valor e acho que essa é a hora em que deixamos de ser melancólicos para sermos felizes, quando valorizamos as pequenas coisas boas ao invés das grandes ruins, essas são importantes lições mas não são coisas para ocupar nossos corações por maiores que sejam, pode parecer demagogia, fico falando mas nunca perdi um pai, um filho, mas minha maior lição vem de pessoas que viveram isso, sofreram e sacudiram a poeira para poder continuar suas vidas, uma delas, meu marido e maior exemplo foi quem me ensinou a não reclamar e remoer sofrimentos, é difícil, mas com certeza sempre, sempre poderia  ser pior.

Não sei qual é a chave da felicidade, o segredo da minha é a simplicidade, é olhar com mais atenção para coisas legais e menos para o sofrimento, não sou nenhuma Polyana, acho que tenho uma alma depressiva e infeliz por natureza, mas o exercício diário de descoberta da vida e das coisas boas dela me faz descobrir que não há dinheiro, amor ou conquista que nos faça feliz, o que nos faz feliz somos nós mesmo!